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Castas

Castelão
É a principal casta do encepamento tinto das regiões da Península de Setúbal (seu solar privilegiado), Ribatejo e Oeste.
Trata-se de uma casta vigorosa e de porte erecto; abrolhamento temporão, com tendência para a rebentação múltipla, pouco sensível à podridão e à escoriose, sensível ao desavinho, principalmente em anos com situações climatéricas instáveis e frias durante a floração. 
É podada, geralmente, em vara e talão, embora nas regiões da Península de Setúbal e do Ribatejo se adapte bem à poda curta.
Enologicamente é considerada uma boa casta, produzindo vinhos com bom teor alcoólico, com corpo, macios e harmoniosos.
Na Península de Setúbal pode igualmente ser denominada Periquita.
No Ribatejo e Oeste é também denominada João de Santarém.


Moscatel de Setúbal
Sabe-se que esta casta é originária do Egipto, tendo-se expandindo pelo Mediterrâneo a partir de Alexandria, possivelmente na época do Império Romano (Galet, 1985).
As uvas Moscatel apresentam uma dupla aptidão. São utilizadas para a mesa e constituem a base do prestigiado vinho generoso "Moscatel .de Setúbal".
Cepa de vigor médio. É podada em talão, tendo uma boa produção. Tem uma floração e fecundação difíceis sendo atreita ao desavinho. Resistente à secura, é sensível ao míldio e ao oídio. Maturação serôdia.
Os vinhos com direito à denominação de origem controlada Setúbal são produzidos numa região delimitada pelos concelhos de Palmela, Setúbal e parte da freguesia de Nossa Senhora do Castelo, do concelho de Sesimbra. De acordo com a legislação, a designação "Moscatel de Setúbal" só pode ser usada quando esta casta contribuiu com, pelo menos, 85% do mosto utilizado.


Fernão Pires
"Cacho até meio palmo, bago muito unido, redondo, branco alourado, pellicula delgada e alguma cousa carnuda, succosa e doce, com algum cheiro. Come-se dá bom vinho. Terreno nem muito secco nem muito humido."
Vicente Coelho Seabra da Silva Telles (1791).
"A casta eleita da região (da península de Setúbal)."
António Porto Soares Franco (1938).
Casta portuguesa muito cultivada no Ribatejo, Estremadura, e na Bairrada (onde é chamada Maria Gomes). Uma das castas brancas mais plantada actualmente na península de Setúbal, a sua área deverá ultrapassar os 500 ha.

É recomendada para a produção de vinhos brancos da denominação de origem Palmela, representando mais de 90% do vinho branco desta denominação. Se vindimada antes que se atinja a sobre maturação, produz vinhos de grande elegância e personalidade. A vindima nos solos arenosos, onde mais abunda, inicia-se entre a terceira e a última semana de Agosto.


Arinto
"É das castas de uvas brancas que se cultivam no Lavradio", “Arintho (em Azeitão), planta boa, mas tardia na maturação, pouco cultivada."
João Ignacio Ferreira Lapa (1867,1868).

"Casta bem conhecida pela alta qualidade do seu mosto, que sendo bastante ácido refresca os vinhos onde entrou na sua composição. Na Região (da península de Setúbal) adquire ainda elevado grau sacarino."
António Porto Soares Franco (1938)

Referenciada como existente nesta região no século XIX, é uma das casta brancas que actualmente tem suscitado um interesse crescente, tendo sido plantadas nos últimos anos as suas primeiras vinhas estremes. Normalmente é usada em lote com vinhos de Fernão Pires. A sua vindima é das mais tardias, acontece normalmente na terceira semana de Setembro.

 



Antão Vaz
Os bons resultados vitivinícolas que tem no vizinho Alentejo levaram a ter uma aceitação crescente na região, em especial nas zonas mais quentes. A sua vindima é uma das mais tardias das brancas, acontecendo normalmente na última semana de Setembro.

 

 

 

 


Moscatel Roxo
“O Muscatel roxo é fabricado com o Muscatel d''esta mesma côr, planta finissima muito aromatica e saccharina, mas, como todas as plantas delicadas, pouco productiva e muito melindrosa. Desmaia a côr roxa déste vinho com a velhice, parecendo então vinho Muscatel branco velho; mas embora, porque o sabor balsamico que adquire em troca, indemnisa no paladar o agrado que desmereceu à vista."
João Ignacio Ferreira Lapa (1866).
"Muscateis roxos - há uma variedade pequena, de boa producção, que fornece o excellente Muscatel roxo de Setúbal. Em França é conhecida com o nome Muscat Rouge de Madeira."
Visconde de Villa Maior (1875).

A única casta recomendada dos vinhos generosos tintos D.O.C. Setúbal. Casta rosada, será uma mutação do Moscatel do Douro (Moscatel Galego).Também chamada Moscatel Violeta da Madeira. Habitualmente presente na nossa região em cepas dispersas de vinhas de outras castas. A vinha estreme de maior dimen­são que conhecemos tem 4 ha. O renascer do interesse pelos raríssimos vinhos generosos desta casta é uma fonte de esperança para a sua conservação. Muito apreciada pela passarada, é normalmente a primeira casta a ser vindimada por volta da segunda semana de Agosto. Há anos que a sua maturação se completa ainda no mês de Julho.

 


Touriga Nacional
"Touriga - é uma das melhores castas do Douro e da Beira Alta."
Visconde de Villa Maior (1875).
"Pruduz muito e bom vinho, adstringente, bastante alcoolico e carregado em cor; constitui a base de grande parte, se não da maior, das vinhas do Douro."
Alexandre de Sousa Figueiredo (1875).
"Superb quality."
Jancis Robinson (1986).
Considerada a melhor casta da região do Douro e uma das melhores nacionais, tem vindo a ser plantada em outras regiões do País. Os seus primeiros vinhos produzidos na península de Setúbal confirmam aqui a sua qualidade. A sua vindima decorre normalmente na terceira semana de Setembro.

 

 


Aragonês
"No Douro o aragonez dá pouco mas bom vinho. No Alemtejo, esta casta é das que dão muito e bom vinho."
João Ignacio Ferreira Lapa (1874).
Uma das grandes castas tintas da Península Ibérica, é chamada Tempranillo em Espanha e Tinta Roriz no Douro. Uma das castas a ter em conta no futuro dos vinhos da região. Aqui a sua época de maturação é idêntica à da Periquita.

 

 

 


Espadeiro (Trincadeira)
"(Em Azeitão) Espadeiro, muito productiva, mas muito atacada (pelo oídio)."
João Ignacio Ferreira Lapa (1867).
Uma das castas Portuguesas mais difundidas no nosso País: a Tinta Amarela do Douro, a Trincadeira Preta do Alentejo, o Preto Martinho da Arruda ou o Crato Preto do Algarve. Casta recomendada na regulamentação dos vinhos da deno­minação de origem Palmela, é muito antiga na região. É provavelmente a segunda casta tinta mais plantada nesta região, normalmente dispersa em vinhas da primeira (Periquita). Mesmo assim, a sua área total de plantio deverá ser inferior a 100 ha. A sua vindima é realizada na mesma época da Periquita.

   

 

 
Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal